4 Comentários

Contatos de “Segundo Grau” com RPG

Em 2003, entrei no ensino médio. Aquele moleque de 14 anos, acostumado à vida de zuera do ensino fundamental. Primeiro dia de aula e tava eu indo para o lugar menos indicado para um “siri” (o calouro de lá), o Bosque.

O Bosque é um lugar encantado para uns e amaldiçoado para outros. Para minha mãe, o Bosque era o símbolo da minha iminente perdição. É preciso entender o que, realmente, é o Bosque. Para economizar palavras e o tempo de vocês (aham..), vou colocar uma foto.

mauá bosque

Esse, como podemos perceber, é o ambiente perfeito para a vagabundagem escolar. E foi assim que iniciei meu período de aprendizado nessa escola.

Nesse ambiente, que, a não ser para levar trote, nenhum siri deveria andar, passei meu primeiro dia de “aula”. Não matei, não teve mesmo.

Claro que não saí entrando de qualquer forma no recinto. Os avisos de “não entre no Bosque” já começavam antes do portão. Conheci, próximo às salas de aula, um cara que até hoje é amigo meu, o Preto.

Preto é um cara, por incrível que pareça, preto, baixo e que curte rock. Não só isso, era um “siri de bengala”, um cara que curtiu tanto o primeiro ano, que quis passar pela experiência mais uma vez.

Andando com o Preto, me vi entrando no ambiente sagrado dos veteranos, conversando com veteranos, fazendo amigos veteranos e até tirando onda com alguns. Já tinha meu bonde (que mais tarde viria a se chamar “bonde do saco preto”), não tomaria trote.

Um ou outro dia depois, conheci um irmãozão meu: Mosquito. Pensa num cara baixinho, troncudo, barbado, desconfiado e carrancudo. Aliás, o cara casou e teve uma filha linda há pouco tempo, nem um pouco carrancuda ela nem a esposa (graças a Deus).

Belo dia, Mosquito manda:

-Pô, cara. Bora jogar RPG? Vou narrar.

dados

A imagem da minha mãe falando “isso é coisa de assassino endemoninhado” nem passou perto da minha mente. Minha reação foi “como que é?”

E foi aí que rolou uma confusão que eu nunca vou esquecer e sempre vou dar uma risadinha lembrando.

Um pouco de background information: acho que até meus 13 anos, eu brincava com um amigo meu, vizinho, broderzão, 5 anos mais novo. Isso quer dizer que ele tinha 8 (OITO) anos. Como eu sempre fui um menino caseiro, poucos amigos, as nossas brincadeiras tendiam a se adequar à idade dele. Brincadeiras que envolviam um tipo de representação “live action” do que a gente via em filmes e/ou imaginava.

Pensa num moleque baixinho e um alto, cada um sentado de frente para as costas de uma cadeira, viajando na ideia de “estamos em Velozes e Furiosos”. Sim, vergonhoso, eu sei, mas que se dane.

Quando o Mosquito me explicou que RPG era você representar um personagem numa história e talz, a primeira coisa que pensei e que saiu da minha boca foi:

– Já joguei algo assim com um vizinho meu.

Sim, “joguei”. Já sou um jovem adulto de 14 anos. Não brinco, jogo.

Imaginem minha surpresa ao perceber que não bateria em ninguém, como estava esperando. Me explicaram que tinha que fazer uma ficha num pedaço de papel e rolar uns dados. E eu fui lá, né. Minha imaginação sempre foi MUITO fértil, então já estava preparado.

Primeiro jogo, primeiro personagem, a gente nunca esquece. Estávamos jogando Matrix e Mosquito me colocou como um dos agentes.

“Cara, você tem que matar esses caras que tão atrás dessa porta aí que tá na tua frente. O que você vai fazer?”
“O que eu posso fazer?”
“Qualquer coisa.”
“Meto o pé na porta.”
“Beleza. Você arrebenta a porta e eles ficam surpresos, não estavam te esperando. O que você faz agora?”
“Dou uma voadora no primeiro que eu vejo.”

Até aí, já é uma bela cena. O agente chega quebrando tudo, os rebeldes não têm muito o que fazer a não ser chorar e pedir por suas mãezinhas, desespero no coração de todos e eu me sentindo O Cara.

“Cara, teu celular tá tocando.”
“Eu atendo.”

E foi aí que eu comecei a aprender. A ideia do RPG é ser realista, por mais que em situações fantasiosas. No meio de uma briga, você não pega e simplesmente atende o maldito telefone, mesmo sendo um agente! Meu personagem apanhou e todos riram da minha cara, obviamente.

Depois disso foi me dado outro personagem, onde eu não pudesse estragar o jogo tão facilmente. O tempo passou, outros jogos rolaram, outros personagens e eu consegui evoluir. No processo, não matei ninguém (a não ser algumas aulas), ninguém foi ferido, minha criatividade aumentou e o diabo não tomou conta do meu corpo.

Valeu a pena curtir com esses caras. Uma parada saudável, benéfica e estigmatizada, a ponto de ser proibida e liberada várias vezes num mesmo ano. Pelas mesmas pessoas.

Saudades dos jogos, dos personagens e dos amigos. RPG me trouxe muito mais do que eu poderia imaginar.

Anúncios

4 comentários em “Contatos de “Segundo Grau” com RPG

  1. altas recordações, o sentimento nostálgico toma conta e me faz ver que foram bons momentos coisas que vale recordar e jamais esquecer. valeu grande amigo por me fazer recordar XD

    Curtir

  2. iuahiuahiuh sempre tem um siri q vai parar no bosque logo no primeiro dia de aula e podes crer
    esses se tornam ledas do maua

    Curtir

A Farofa Corp. agradece seu comentário.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: