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Brinquei com fogo e não acordei mijado

Não me lembro muito bem de tudo que rolava na minha infância. Acredito ter um certo problema de memória ligado a algum tipo de déficit de atenção. Se bobear, não lembro direito o que comi ontem. (MÃE, foi panqueca?)

Mas me lembro de várias loucuras que fazia quando era uma criança pobre e caseira (ainda sou pobre, mas não mais uma criança caseira). Me lembro, inclusive, que “aprendi” a técnica de andar de bicicleta sem as mãos no corredor atrás da escada. Eu subia na bicicleta, ficava pedalando pra trás, sem as mãos, e, de vez em quando, tentava me equilibrar parado. Tanto funcionou, que nunca caí andando de bike sem as mãos. =D

Mas uma das coisas que eu sempre gostei, sendo criança, adolescente ou ~adulto~, é o FOGO. Água também, mas o risco de escassez era maior e, por fazer mais barulho, minha mãe sempre via e brigava. Com o fogo era diferente. Eu me escondia num canto qualquer, fazia minhas loucuras e sumia com os vestígios. Nem sempre dava certo, caixas de fósforo não se reproduzem do nada.

Lembro de certa vez que eu e minha vizinha Bia, que hoje é uma cantora famosa e não esqueceu de mim, ficamos nas nossas escadas, que eram uma do lado da outra porque as casas eram e são juntas até hoje, brincando com fogo. Não era algo tão comum de acontecer, mas aconteceu algumas vezes. A gente pegava velas, acendia e ficava brincando com a parafina derretida, com jornais, com qualquer coisa que o calor pudesse afetar. A gente deixava a parafina cair nos dedos, só pra saber a sensação e ver o efeito dela esfriando e se solidificando no processo.

Homem Cuspindo Fogo

Qualquer dia ainda faço isso… (fonte: http://singouttogod.blogspot.com.br/)

A gente chegou também a brincar de “pinga fogo”, que foi como o Izzy Nobre denominou, nesse post aqui, a prática de pegar canudos de plástico, colocar fogo e ver a magia de “fireballs” indo na direção do chão. Aquilo foi tão legal, a bola de fogo, o impacto no chão, a “explosão” que resultava desse impacto, que fizemos muito essa brincadeirinha. Vocês não têm noção do efeito desse pequeno “kamehameha” artificial ao atingir o chão molhado. É INCRÍVEL! Pelo menos para a mente doentia de uma criança sem equipamentos tecnológicos.

A brincadeira de “fireball” era tão legal, que eu elevei minha experiência a níveis um pouco menos aceitáveis para os padrões dos adultos: garrafas pet de 2 litros em plena combustão. Ah… se já existissem os refrigerantes de 3,5L! Era tudo muito lindão demais! Pra quem não tinha muito contato com o perigo (passei a maior parte da minha vida morando numa vila, nem o perigo de jogar bola na rua eu tinha), aquilo era demais! Medo? O que era isso?! (O que É isso, pra falar a verdade?)

Claro que minha mãe, sempre que encontrava um pedaço de plástico retorcido, uma vela no final de sua vida, marcas de queimado nas paredes, cinzas de jornais, caixas de fósforo com apenas dois palitos, me dava uma bronca gigante! Curiosidade: esses dois palitos eram uma tentativa de amenizar o que eu estava fazendo. Eu sempre pensava “eu não acabei com a caixa de fósforo”. Acho que até usei isso algumas vezes como desculpa.

Acho que o ponto alto da minha insanidade infantil foi usar um desodorante aerosol como lança chamas, para matar formigas e aranhas, no corredor, próximo a um BOTIJÃO DE GÁS e, após isso tudo, tentar criar UMA FOGUEIRA no mesmo local. Não lembro se apanhei naquele dia. (Já falei do problema de memória? Não lembro… Ah, já sim.)

Claro, fiz algumas outras coisas, até mais explosivas, como fazer uma garrafa de refrigerante decolar com um conjunto de bombinhas dentro, ou explodir muros dos vizinhos. Até presenciei meu vizinho e amigo Lucas quase colocando fogo nas cortinas de uma outra vizinha nossa. O Ki-suco ia fervendo naquele dia.

Cheguei a estudar um pouco o “Manual do Terrorista BR”, quando meu pai comprou nosso primeiro e único computador. É um guia com várias formas de se divertir com o fogo e seus efeitos, não necessariamente aterrorizando as civilizações por aí. Jurei a mim mesmo que faria um cogumelo de fogo de tamanhos aceitáveis. Ainda não concretizei essa promessa, mas nada me impede. Meus pais me fizeram deletar o arquivo do computador. Mas, por causa dos problemas de memória, uma cópia desse guia ficou esquecida em outra partição do HD e eu acabei encontrando depois. Tá por lá…

A culpa toda é dos meus pais que, por serem evangélicos a mais tempo que eu os conheço, nunca acreditaram em superstições e me ensinaram a não acreditar também. Dessa forma, minha mãe nunca falou “quem brinca com fogo amanhece mijado” e isso é algo que aconteceu bem antes de minhas aventuras piromaníacas.

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