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Dia 06 – Um Experiência Inesquecível

Eu sei que estou bem atrasado, mas vocês já esperavam isso. E não apenas porque eu fui dormir. A maior causa da demora deste post foi a confusão mental em que me meti, pensando em que experiência eu colocaria aqui.

Tive, na minha curta e feliz vida, muitos momentos que nunca esquecerei. Alguns que até coloquei no Eis Que Te Falo, alguns que poucas pessoas sabem ou tem o direito de saber, alguns que seres humanos nunca saberão e outros que todo mundo sabe mas eu não canso de contar.

Graças a Deus, este post não é sobre nenhum destes momentos aí. É sobre alguns momentos loucos da minha vida adolescente inconsequente delinquente.

Sempre fui um amante da velocidade. Desde quando assistia as 0,00000500 milhas de Formigópolis. Gosto do vento, da sensação de estar voando, da liberdade que a velocidade e a aceleração nos proporcionam. Foi uma das partes preferidas enquanto estudava física. Era uma pena quando o professor nunca entendia a causa de meus cálculos estarem sempre constatando uma velocidade mais alta do que o normal. Eu falava que incluía o fator Adrenalina nas equações, mas ele não aceitava. Retrógrado injusto.

Então, com essa coisa de velocidade e etc, sempre busquei meios de conseguí-la. Quando ganhei minha primeira bicicleta, por exemplo, consegui, de forma muito rápida, o primeiro acidente por andar acima do limite. E também por não saber virar. A bicicleta também não tinha rodinhas. Nem freio. E eu ganhei um chifre no meio da testa, causado pela traição da minha bicicleta com um muro chapiscado.

O tempo foi passando, eu peguei experiência e tentei novos experimentos. Foi quando aconteceu o primeiro tombo por alta velocidade sem mãos. Fui punido com alguns segundos limpando o chão com meu corpo.

Após isso, acertei também com a “Catapulta-ao-chão”, manobra criada por mim, usada por mim e sofrida por mim. Consiste em enfiar o pé na roda dianteira de uma bicicleta sem freios, após uma aceleração de 20m/s². A bike levará seu corpo a produzir uma curva perfeita e direta, em direção, claro, ao chão. ATENÇÃO: Ao utilizar-se desta técnica, tenha certeza de colocar as mãos na frente do rosto ANTES do final da manobra. Caso não proceda desta forma, não poderás, nunca mais, colocar aquele seu lindo piercing no nariz.

Fui crescendo, ficando mais malando, mais rápido e mais estável. Não, não mentalmente. Apenas não tomava mais os mesmos tombos bobos. Até aquela noite…

Tudo aconteceu quando um amigo me chamou para andar de bicicleta, em uma estrada fechada para carros, próxima da minha casa. Nos preparamos, ajustando nossos corpos em cima de nossas camelas, e fomos ao encontro de nosso destino. Eu, principalmente.

Era uma noite de sexta feira, a estrada estava movimentada, pessoas caminhavam para lá e para cá. Moças com suas calças de ginástica, rapazes com suas bermudas velhas, pobres com suas havaianas presas com grampos, cachorros sarrando em pessoas namorando, etc… Tudo muito bonito e inspirador. (NOT)

Decidi, então, lançar-me na minha busca pelo prazer da adrenalina. Comecei muito bem, com minhas acelerações em uma Caloi Barra Forte de 6 marchas. Azul era sua cor, pretos eram seus pneus, louco era (?) seu dono.

Tudo ia bem até eu decidir me tornar um pouco mais “aerodinâmico”. Inclinei meu corpo e, como a possante não tinha guidão preparado para corridas, resolvi colocar meus cotovelos apoiados nos originais de fábrica. A aceleração era incrível! Eu podia sentir as gotas de suor saírem voando do meu corpo! Eu estava atingindo um novo patamar no ciclismo amador! Quando… Tinha que ter um “quando”!

O que vi foi muito rápido e… tarde demais. Um dos bueiros estava com a tampa abaixo da linha da rua. A roda da frente abriu caminho para o buraco negro, a roda de trás, na pressa de seguir sua companheira, lançou-se para o alto (e avante), fazendo com que meu corpo fosse projetado em direção ao ar! Não ao chão, não à frente, mas ao ar.

Por um momento, “¡un rato!”, eu pude voar. Poucos seres humanos, pobres, tiveram ou terão essa experiência. Foi mágico. O chão corria para trás de mim, as luzes deixavam seu rastro, as pessoas não importavam mais, nem o chão, nem nada. Só eu e o ar, juntos, nos amando! E veio o chão.

A minha experiência de super homem terminou por aí. Agora começava a de um ônibus espacial entrando na atmosfera, mas era meu corpo tentando entrar no chão. Tudo queimando, rasgando, arrastando.

Contagem dos mortos: alguns (enormes) arranhões, nenhum osso quebrado, uma roda empenada, uma confusão no hospital, onde acharam que eu tinha caído de moto, e um novo apelido na escola, X-Games.

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2 comentários em “Dia 06 – Um Experiência Inesquecível

  1. "incluía o fator Adrenalina"?!huahauahauahuahauaMuito show o seu relato! Adorei meeesmo. Exceto por saber q vc andou se machucando por aí; isso não é bacana!=D

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  2. Ah… Mas isso faz tempo. E eu bebi coca cola supergelada em um hospital supergelado. Barecia uma britadeira =P

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